09/ 11/2016 — Guilherme Araújo Cardoso

Sobre o Paradoxo do Mentiroso

As tentativas de soluções propostas ao Paradoxo do Mentiroso podem ser agrupadas em famílias de abordagens. Uma classificação razoável é aquela que distingue as Abordagens Parciais, as Abordagens Inconsistentes e as Abordagens Contextuais. As Abordagens Parciais se caracterizam pela admissão de truth value gaps. Podemos citar, como exemplos desta família de abordagens, os seguintes trabalhos (dentre outros): Van Frasseen (1968), Herzberger, H. (1970), Kripke, S. (1975) e Martin, R. (1984). As Abordagens Inconsistentes se caracterizam pela admissão de truth value gluts. Podemos citar, como exemplos desta família de abordagens, os seguintes trabalhos (dentre outros): Eklund, M. (2002), Priest, G. (2006) e Patterson, D. (2007). Finalmente, as Abordagens Contextuais se caracterizam pela admissão de algum tipo de interferência do contexto na avaliação das sentenças (ou proposições), o que permite preservar interpretações clássicas e evitar os gaps e gluts. Podemos citar, como exemplos desta família de abordagens, os seguintes trabalhos (dentre outros): Parsons, C. (1974), Barwise, J. e Etchemendy, J. (1987), Glanzberg, M. (2001) e Simmons, K. (2007). A rigor, existem objeções às três famílias de abordagens. Estas objeções são disponibilizadas pelos Argumentos de Vingança que, por sua vez, permitem reconstruir versões do Mentiroso que sejam imunes ao tipo de solução proposta. Nesta apresentação, tentaremos defender as Abordagens Contextuais do Mentiroso, dando atenção especial à Teoria de Situações de Barwise, J. e Etchemendy, J. (1987) e ao modo como tal teoria permitiria desarmar o argumento da vingança.

Anúncios